O projeto andorin associa-se à SPEA-BirdLife através de um protocolo de cooperação. Esta nova etapa permitirá reforçar o conhecimento, a divulgação e a conservação das andorinhas e dos andorinhões que nidificam em Portugal.
Passamos assim a integrar o trabalho desenvolvido pelo andorin, um projeto dedicado à conservação das andorinhas e dos andorinhões. A colaboração permitirá divulgar melhor estas aves, promover atividades de ciência cidadã e apoiar intervenções destinadas a proteger os seus locais de nidificação.
Entre as espécies acompanhadas destaca-se o andorinhão-da-serra, a última das cerca de 200 espécies de aves autóctones a ser identificada como nidificante regular em Portugal continental. Fácil de confundir com outros andorinhões e até com andorinhas, esta espécie pode passar despercebida a um observador menos atento.
Até há poucos anos, era conhecida como nidificante apenas na Madeira e nas Canárias. A partir de 2019, observações regulares no Porto levaram Paulo Belo a iniciar uma procura sistemática, que permitiu identificar o primeiro local de nidificação conhecido na Europa continental.
Atualmente, são conhecidos apenas nove locais de reprodução em Portugal continental, distribuídos pelo Porto, Lisboa e Cascais, que deverão albergar menos de 40 casais.
Conhecer para proteger
Nos últimos quatro anos, o andorin promoveu uma campanha de ciência cidadã para identificar ninhos e colónias de andorinhão-da-serra. Estão já registados cerca de 50 locais de nidificação em território nacional, incluindo na Madeira.
O projeto esteve também na origem da primeira intervenção de restauro de um edifício em Portugal com soluções de nidificação para aves integradas na própria estrutura. A intervenção, realizada na Rua de Sá da Bandeira, no Porto, permitiu preservar uma colónia ameaçada por obras de renovação.
No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, foi instalado um sistema de monitorização acústica para estudar a utilização dos ninhos pelo andorinhão-preto, pelo andorinhão-pálido e pelo andorinhão-da-serra. O projeto apoia ainda uma investigação pioneira com dispositivos GPS, dados biométricos e análises genéticas, que ajudará a compreender os movimentos e a origem das aves que nidificam no continente.
Com a integração do andorin, reforçamos o nosso trabalho de conservação das aves em meio urbano e criamos novas oportunidades para envolver cidadãos, investigadores, proprietários e entidades públicas na proteção das andorinhas, dos andorinhões e dos seus locais de nidificação.
