O programa LIFE, essencial para a conservação da natureza na Europa, passou esta semana um teste importante no Parlamento Europeu. Mas não há garantias — e o momento de agir está longe de ter passado.
A Comissão dos Orçamentos (BUDG) aprovou o relatório intercalar sobre o próximo orçamento da União Europeia (2028–2034), reconhecendo claramente a importância do LIFE. Os eurodeputados destacam o seu papel central no financiamento de projetos no terreno e defendem financiamento dedicado, contínuo e previsível, propondo ainda verbas concretas para o futuro.
É um sinal positivo — mas insuficiente.
Ao contrário da posição mais ambiciosa já aprovada pela Comissão do Ambiente (ENVI), o texto não assegura que o LIFE continue como um programa autónomo. E isso faz toda a diferença: sem essa garantia, o programa pode ser diluído noutros fundos, perdendo eficácia e impacto.
A decisão final aproxima-se — e pode mudar tudo
A votação decisiva em plenário está marcada para 28 de abril. Até lá, há uma janela curta — mas crucial — para mostrar que cidadãos, organizações e comunidades em toda a Europa não aceitam perder o principal instrumento de financiamento da natureza.
Sem pressão pública, o LIFE pode enfraquecer. Com mobilização, pode sair reforçado.
O LIFE não é um programa distante de Bruxelas. É o que permitiu, em Portugal, salvar o priolo da extinção, recuperar habitats nas Berlengas e proteger a laurissilva da Madeira. É o que apoia projetos que fazem a diferença no terreno — para a biodiversidade, para as comunidades e para a nossa capacidade de enfrentar crises como cheias e ondas de calor.
Se desaparecer ou perder força, perdemos todos.
O Parlamento já deu um sinal. Agora é a sua vez de fazer a diferença.
