Onde o rio se encontra com as planícies ribatejanas, há um paraíso de águas calmas, vegetação verdejante – e aves, muitas aves.
Em frente à aldeia do Escaroupim, junto a Salvaterra de Magos, esconde-se um local de peregrinação para observadores e fotógrafos de aves de todo o mundo: a Ilha das Garças. Aqui pode presenciar um dos mais fantásticos fenómenos naturais. Entre março e junho, este meio hectare de vegetação luxuriante acolhe centenas ou mesmo milhares de casais de aves, de pelo menos sete espécies diferentes, que aqui nidificam em colónia: garça-real (Ardea cinerea), carraceiro (ou garça-boieira, Bubulcus ibis), garça-branca-pequena, garça-noturna (ou goraz), papa-ratos, colhereiro e íbis-preta.
As aves que congregam neste pequeno “mouchão” (como são conhecidas estas ilhas e bancos de areia no Rio Tejo), podem ser observadas a partir do cais no Escaroupim, preferencialmente com um telescópio, mas para desfrutar deste espetáculo natural em todo o seu esplendor aconselhamos que utilize os serviços de uma das empresas de barcos que partem dali.
A bordo das embarcações de empresas como a Rio-a-Dentro, além de poder chegar mais perto das aves (com cuidado para não as perturbar), tem a vantagem de poder observar de vários ângulos, e ainda a oportunidade de explorar mais a fundo as margens verdejantes, os mouchões e os pequenos canais deste troço encantado, onde o Tejo se encontra com as planícies ribatejanas.
Desde os bancos de areia às zonas lodosas, dos mouchões aos sapais e pauis, a enorme diversidade de habitats serve de refúgio e local de alimentação para milhares de aves, ao longo de todo o ano. Pode ver a águia-pesqueira a alimentar-se, ou os corvos-marinhos a mergulhar em busca de refeição. Estes últimos podem também ser vistos, no outono, a juntar-se em bando na Ilha das Garças, tornando o pôr do sol ainda mais mágico.
Na primavera, além das impressionantes colónias da Ilha das Garças, também vários casais de milhafre-preto se reproduzem regularmente neste troço do rio. Por entre os tons castanhos de caniços e tabua, avista-se por vezes o amarelo-vivo dos exóticos bispos-de coroa-amarela. Preste ainda atenção aos bancos de areia, onde pode presenciar a entrada e saída das andorinhas-das-barreiras e dos abelharucos, que aqui escavam as suas colónias de nidificação.
Na primavera e verão, avista-se também frequentemente águia-calçada e garça-vermelha neste troço do Tejo.
Esta primavera, pondere juntar-se à peregrinação, e deslizar pelas águas calmas deste paraíso natural.
Aldeia de Escaroupim
Neste ambiente de verdes calmos, saltam à vista as cores garridas das casas da aldeia de Escaroupim, poisadas sobre estacas como se fossem garças gigantes à beira-rio. Tal como as aves, também as pessoas foram atraídas pelo alimento e refúgio que este troço de rio oferece. Nos anos 30, pescadores da região de Vieira de Leiria fugiam ao inclemente tempo de inverno, que os impedia de pescar no mar, e vinham pescar Tejo acima. Inicialmente dormiam nas bateiras (os típicos e coloridos barcos que ainda se vêem por aqui), e regressavam a casa quando despontava a primavera. Mas com o passar dos anos, alguns destes “avieiros”, como eram conhecidos, começaram a construir casas e fixar-se aqui. Assim nasceu a aldeia de Escaroupim, cuja história, gentes e costumes pode conhecer melhor visitando a Casa Avieira e o Museu Escaroupim e o Rio, ambos situados na própria aldeia.
Descubra por si próprio – Participe na atividade Observação de aves em barco no Rio Tejo!



