No Dia Mundial das Aves Migratórias, assinalamos um avanço histórico para a conservação das aves que cruzam oceanos: a criação de um enquadramento global para as chamadas “rotas migratórias marinhas” (marine flyways), aprovado na mais recente conferência da Convenção sobre Espécies Migradoras (CMS COP15). A decisão implica maior grau de proteção para a freira-da-madeira e a freira-do-bugio, que estão entre as 25 espécies e subespécies adicionadas à lista da Convenção.
Desde a década de 1980 que as rotas migratórias em terra têm permitido coordenar esforços de conservação entre países, sustentando acordos internacionais e grandes iniciativas de cooperação. No entanto, os oceanos — por onde passam muitas das aves mais ameaçadas do planeta — não dispunham até agora de um mecanismo equivalente. Esta nova resolução vem finalmente colmatar essa lacuna, abrindo caminho a uma proteção mais eficaz das aves marinhas ao longo de todo o seu ciclo de vida.
O documento define um conjunto claro de prioridades para ação imediata por parte dos governos. Entre as 15 recomendações destacam-se a identificação e proteção de áreas críticas para as aves, a erradicação de espécies invasoras nas colónias de nidificação e o reforço da capacitação e sensibilização para a conservação.
A resolução sublinha ainda a importância de ferramentas já existentes, como as Áreas Importantes para as Aves e a Biodiversidade (IBAs), bases de dados de monitorização de aves marinhas e instrumentos de apoio à conservação da megafauna marinha, que serão fundamentais para orientar decisões e intervenções no terreno.
Num contexto de crescentes ameaças, como as alterações climáticas, a poluição e a captura acidental em atividades de pesca, este passo representa um reforço crucial da cooperação internacional. Proteger as aves migradoras exige uma abordagem global — e, com esta decisão, o oceano passa finalmente a fazer parte da solução.
