No âmbito do projeto LIFE LxAquila, implementámos, entre 2021 e 2025, um conjunto de ações para aumentar a disponibilidade de duas presas essenciais da águia-de-bonelli — o coelho-bravo e a perdiz-vermelha — em territórios com reduzida abundância de presas selvagens. Criámos duas áreas de demonstração de boas práticas cinegéticas, com o objetivo de promover a sua partilha e replicação junto de associações de caçadores da Área Metropolitana de Lisboa.

 

Estas intervenções resultaram de uma colaboração dos parceiros SPEA, Câmara Municipal de Sintra e Companhia das Lezírias e uma associação de caçadores local, abrangendo duas zonas de caça nos concelhos de Sintra e Benavente, que incluem três territórios de casais de águia-de-bonelli.

 

Medidas no terreno com resultados visíveis

Na Zona de Caça Associativa da Terrugem, através de um protocolo de colaboração estabelecido entre a SPEA, a Câmara Municipal de Sintra e o Clube de Caçadores da Terrugem, o Clube estabeleceu uma área de refúgio com 52,2 hectares onde a caça não é permitida. Aqui, implementaram várias medidas de gestão de habitat, incluindo a criação de clareiras em matos densos, a instalação de sementeiras biodiversas com cereais e leguminosas, e a colocação de comedouros e bebedouros. Criaram ainda um marouço (um abrigo feito com ramos e pedras, onde os coelhos podem refugiar-se) com sobrantes naturais e uma charca, melhorando as condições de abrigo e acesso a água.

 

Na Companhia das Lezírias, implementámos medidas como a criação de parques de aclimatação para coelho-bravo, onde foram libertados 350 animais,  e a instalação de marouços, bem como a colocação de comedouros e bebedouros e a instalação de uma extensa área de sementeira de luzerna, num total de 78,7 ha.

 

Com estas ações pretendemos promover o estabelecimento de novas colónias de coelho e reforçar as populações existentes de coelho e perdiz.

Carolina Bloise/SPEA
Carolina Bloise/SPEA
Carolina Bloise/SPEA
Carolina Bloise/SPEA

 

Benefícios para o ecossistema

As medidas que implementámos beneficiam estas duas espécies de formas complementares. As leguminosas são um importante recurso alimentar para o coelho-bravo, fornecendo proteínas essenciais para a sua reprodução. Os comedouros funcionam como um suplemento alimentar para ambas as espécies. Já os bebedouros e charcas desempenham um papel crucial na sobrevivência das crias de perdiz, que necessitam de água disponível com frequência — algo raro nestas zonas durante o verão.

 

Os marouços e parques de aclimatação têm-se revelado eficazes na promoção de novas colónias de coelho-bravo. Em várias áreas, já confirmámos que surgiram novas colónias, evidenciadas pela presença de latrinas: um sinal claro de sucesso destas medidas de gestão.

 

Próximos passos

Os resultados preliminares são encorajadores e confirmam a eficácia das ações que implementámos. Em breve, iremos partilhar dados mais detalhados, com base nos censos anuais de abundância destas espécies, que permitirão avaliar com maior precisão o impacto do nosso trabalho na recuperação das populações de presas e, consequentemente, na conservação da águia-de-bonelli.

 

Mais informação

Promoção do habitat para as populações de presas: resultados do projeto