No âmbito do projeto Life LxAquila, uma das ações implementadas teve o objetivo de aumentar a disponibilidade de coelho-bravo e perdiz-vermelha em territórios da águia-de-Bonelli com reduzida abundância de presas selvagens, criando 2 áreas de implementação e demonstração de boas práticas cinegéticas, com vista também à partilha e divulgação entre associações de caçadores da AML. Para isso, a SPEA, a Câmara Municipal de Sintra em colaboração com caçadores locais e a Companhia das Lezírias implementaram medidas de gestão de habitat entre 2021 a 2025, em 2 zonas de caça que abrangem 3 territórios da espécie nos concelhos de Sintra e Benavente.

 

Na Zona de Caça Associativa da Terrugem, através de um protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal de Sintra, a SPEA e o Clube de Caçadores da Terrugem, foram criados 52,2ha de áreas de refúgio para a perdiz-vermelha e o coelho-bravo, onde não é permitido caçar, nas quais foram implementadas as seguintes medidas:

  • a criação de clareiras em áreas de matos densos, através da desmatação de algumas zonas (4,8ha)
  • a implementação de 15,2ha de sementeiras biodiversas de cereais e leguminosas (ervilhaca, luzerna e trevos anuais)
  • a instalação de 10 comedouros/bebedouros que são mantidos regularmente
  • a criação de um marouço com sobrantes naturais (madeira e pedras) e a criação de uma charca.

 

Na Companhia das Lezírias, as medidas implementadas incluíram:

  • a criação de 2 parques de aclimatação para coelho-bravo
  • a criação de 6 marouços (entre 2021 e 2023)
  • a libertação de 350 coelhos nos parques de alimentação e marouços criados
  • a criação de 14 comedouros/bebedouros em 2021/22, que são mantidos regularmente
  • a sementeira de 78,7 ha de áreas de cereal e criação de um pivot de luzerna (leguminosa)

 

Estas medidas são muito importantes para ambas as espécies basilares dos ecossistemas mediterrânicos, beneficiando-as de formas diferentes. No caso do coelho, as leguminosas, por exemplo, são um excelente complemento alimentar, pois fornecem proteínas importantes para a sua reprodução. Os comedouros são um complemento alimentar para ambas as espécies. Já os bebedouros e charcas têm um importante papel na sobrevivência dos perdigotos (crias de perdiz), que necessitam de ter água disponível a cada 300 metros, o que é raro nestas zonas que secam bastante no verão.

 

Os marouços e parques de aclimatação são um incentivo à instalação de novas colónias de coelho-bravo nas zonas onde são instalados, tendo-se verificado que nalguns deles, tanto na CL como na ZCA da Terrugem, houve a instalação de novas colónias, denunciadas pela presença de latrinas desta espécie.

 

Recursos

Folheto: Boas práticas cinegéticas para o aumento das populações de coelho e perdiz

 

Notícias

Caçadores: aliados na gestão de presas

Alimentando a biodiversidade