Vira o disco e toca o mesmo: está esta semana em consulta pública mais um projeto que ameaça o nordeste Algarvio. Mais um projeto que foi chumbado pelos impactos ambientais negativos, e que o promotor — neste caso a Galp — “reformula” sem resolver o problema de base: a localização numa zona ecologicamente sensível, onde será uma séria ameaça a espécies como a águia-de-bonelli, a águia-imperial e o lince-ibérico, não só pela implementação destes aerogeradores e de todas as estruturas associadas, mas também pelos efeitos cumulativos com as várias infraestruturas fotovoltaicas e eólicas já instaladas (e as várias outras em fase de análise) na região.
Até esta 5ª-feira, 16 de abril, ainda é possível fazer a diferença. Participe na consulta pública da reformulação dos projetos Eólicos de Hibridização das Centrais Fotovoltaicas de Viçoso, Pereiro, São Marcos e Albercas, cuja proposta inicial recebeu parecer desfavorável da Comissão de Avaliação pelos seus “impactes ambientais negativos, muito significativos, permanentes, irreversíveis e não minimizáveis“. Manifeste a sua oposição a este projeto que deve ser definitivamente chumbado.
Não sabe ao certo o que escrever?
Se desejar, pode copiar ou adaptar este texto:
Manifesto a minha oposição à reformulação dos projetos Eólicos de Hibridização das Centrais Fotovoltaicas de Viçoso, Pereiro, São Marcos e Albercas, e defendo que este projeto deve ser definitivamente chumbado.
A Comissão de Avaliação classificou os impactes ambientais como negativos, muito significativos, permanentes, irreversíveis e não minimizáveis. A proposta agora apresentada não resolve os problemas identificados anteriormente, mantendo-se os riscos graves para espécies ameaçadas, incluindo a águia-de-bonelli, a águia-imperial e o lince-ibérico, e para um importante corredor migratório.
A redução de 23 para 20 aerogeradores e os ligeiros ajustes na localização dos mesmos não resolvem o problema de base, que reside na localização do projeto numa área de elevada sensibilidade ecológica e já sujeita a pressões preocupantes devido à implementação (atual e proposta) de várias infraestruturas energéticas na região. Os impactos cumulativos destas infraestruturas na biodiversidade e nas populações locais não podem ser ignorados.
O projeto ameaça ecossistemas de elevado valor ecológico, incluindo territórios de nidificação de aves de rapina ameaçadas (como a águia-de-bonelli, a águia-real e a águia-imperial-ibérica), um importante corredor migratório (Sagres–Gibraltar) e habitats de espécies como o lince-ibérico, o gato-bravo e morcegos. Avançar com este projeto é deitar por terra todos os esforços e investimentos realizados nos últimos anos (inclusive com apoios da União Europeia) para proteger estas espécies.
Os impactes incluem aumento do risco de mortalidade, perturbação, degradação e fragmentação de habitats, não sendo minimizáveis pelas alterações propostas.
A transição energética é necessária, mas não pode ser feita à custa da biodiversidade nem das comunidades. Existem alternativas mais adequadas para a produção de energia renovável, nomeadamente as áreas já artificializadas, como priorizado pela Directiva de Energias Renováveis da UE (REDIII).
Assim, solicito que as autoridades competentes respeitem o parecer da Comissão de Avaliação e recusem definitivamente este projeto.
Como participar na consulta pública:
- Vá à página do projeto no portal Participa
- Clique no botão Participar
- Se necessário, clique em “Faça login” (se não estiver ainda registado no portal, terá essa opção no passo seguinte) e depois volte a clicar em Participar
- No menú “Classificador” (canto superior direito) escolha “Discordância”
- Escreva a sua opinião (ou cole o texto acima)
- Clique em “Submeter”
Mais informação
Parecer do Grupo de Trabalho em Águia-de-Bonelli da SPEA na consulta pública original
Algarve sob pressão: novos projetos renováveis ameaçam biodiversidade
Mais sobre outras infraestruturas projetadas para esta área sensível:
Projeto eólico de Alcoutim deve ser definitivamente chumbado, defende a SPEA
