Nos últimos meses começámos a preparar o futuro da rede de custódia do projeto LIFE LxAquila.
Numa primeira fase, e de forma a consolidar as relações entre as pessoas que dela fazem parte, dentro e entre as várias entidades envolvidas no projeto, realizou-se o workshop “Ouvir em Círculo”, no âmbito de uma das reuniões executivas do projeto, no dia 16 de abril, no meio da natureza do Parque Ambiental do Alambre, em Setúbal.
Neste workshop, onde estiveram 31 participantes das entidades parceiras, foi possível trabalhar, com o apoio da facilitadora Isabel Rosa, as relações entre os vários intervenientes desta rede a um nível mais humano e menos institucional, através de um conjunto de dinâmicas de grupo e perguntas que permitiram aos participantes interagir de forma diferente, promovendo as ligações entre todos.
Nas palavras da facilitadora, este workshop permitiu: “… criar um espaço para as pessoas se ouvirem e terem um diferente tipo de presença uns com os outros. Quando abrandamos o ritmo e olhamos para o outro sem pressa, criam-se dinâmicas de grupo em que o lado humano está mais presente, independentemente das hierarquias e dos papeis que ocupamos”. No entender da facilitadora, estas dinâmicas criam relações mais profundas, relações humanas, que mudam significativamente as relações profissionais, permitindo o desenvolvimento de um outro olhar nas relações profissionais e futuras, baseado em laços previamente estabelecidos. E foi, de facto, isso que aconteceu.
Das partilhas realizadas nesse dia, surgiram algumas que nos parece importante salientar tais como a necessidade, referida por muitos dos participantes, de um compromisso de todos para a continuidade desta rede. Outros aspetos referidos, entre “aquilo que dá confiança na rede”, foram a paixão pela conservação das águias e da natureza, as ligações entre os intervenientes, a empatia, o sentido de responsabilidade, a articulação e envolvimento das entidades, a comunicação e a disponibilidade das pessoas e entidades.
Em relação aos receios partilhados, muitos receiam o fim do projeto por ele poder trazer a dissolução da rede e a perda das relações criadas. A falta de liderança formal, bem como de um elemento agregador no pós-LIFE foram fatores também mencionados e que deixam as pessoas inseguras e com alguns receios relativamente ao futuro da rede. Outros são a falta de financiamento ou, por vezes, de vontade política, para dar continuidade aos desafios desta rede, que pretende continuar a proteger as águias na AML por muitos e longos anos.
Passos sólidos para o futuro
Este workshop foi o pontapé de saída para se trabalhar a consolidação da rede, e semear os primeiros passos para um futuro que se quer conjunto e coeso. A motivação e inspiração que daqui saíram, potenciaram as partilhas realizadas nos workshops online subsequentes, mesmo sendo estes mais institucionais e organizados de forma a dar frutos concretos para o caminho a seguir no pós-LIFE.
Assim, nos dias 22 de abril e 27 de maio, realizaram-se dois workshops online que pretenderam colocar os parceiros a pensar em conjunto e a co-construir o futuro pós-LIFE, identificando interesses, medidas e procedimentos para integrar em dois documentos orientadores: o Guia de Boas Práticas de Conservação em Meio Peri-urbano (Ação F1) e o Plano After-life (Ação F3), que deverá incluir medidas concretas, prazos e procedimentos que garantam a manutenção da rede e a continuação das ações do projeto após o final do mesmo, tendo em conta os interesse e objetivos prioritários de cada parceiro.
Estes workshops foram bastante participados (43 participantes no dia 22 de abril e 24 participantes a 27 de maio), integrando vários técnicos das entidades parceiras, incluindo de diferentes departamentos (no caso dos municípios), e permitiram começar este trabalho de co-criação do futuro pós-LIFE, esboçando-se já as primeiras medidas a implementar no futuro, às quais se irá dar continuidade após o período de verão.
Para terminar, importa partilhar uma das palavras com as quais terminou a nossa reunião executiva no Alambre, quando no final fizemos a pergunta: o que levo daqui? Muitos responderam ESPERANÇA.
E isso dá-nos uma enorme esperança no futuro desta rede. Uma rede que se quer coesa, mas também viva e dinâmica. Autêntica na sua construção.
