Estamos no terreno a acompanhar de perto os “nossos” casais de águia-de-bonelli, numa época de reprodução marcada por condições meteorológicas adversas e alguns sinais de preocupação em vários territórios.
As tempestades do início do ano provocaram a queda de uma árvore com ninho e de outros dois ninhos. Ainda assim, um dos casais conseguiu reconstruir o seu ninho — um sinal claro de resiliência. No total, estamos a monitorizar 16 territórios, e em quatro deles detetámos instabilidade na composição dos casais, sem registo de reprodução este ano.
Num desses territórios, desapareceu simultaneamente todo o casal — uma situação particularmente preocupante. Não é possível excluir a hipótese de perseguição direta, e este desaparecimento pode comprometer a ocupação futura do território, já que a espécie tem dificuldade em se estabelecer em zonas com níveis elevados de perturbação. Noutro território, a situação agravou-se com a queda da árvore que suportava o ninho.
Apesar dos desafios, há também boas notícias. Confirmámos que 10 casais iniciaram a incubação, embora alguns tenham adiado a postura devido ao longo período de chuva e vento em janeiro e fevereiro. Até agora, já registámos seis crias saudáveis em cinco territórios. Houve também a perda de uma cria, cujas causas ainda estamos a tentar perceber.
No geral, estes resultados mostram que, apesar das tempestades, alguns casais conseguiram persistir e reproduzir-se. Ao mesmo tempo, o desaparecimento de vários indivíduos alerta-nos para a presença de ameaças sérias e cumulativas em territórios muito humanizados, que podem afetar esta população a longo prazo.
