Entre 20 de outubro e 9 de novembro, a equipa SPEA Açores esteve no terreno, em São Miguel e no Corvo, a apoiar a campanha SOS Cagarro. Graças ao apoio de mais de 150 voluntários e de várias entidades locais que se juntaram a nós noite após noite, resgatámos, no total, mais de 1000 cagarras, ou cagarros como são conhecidos nos Açores. Nesta altura do ano, os cagarros juvenis saem do ninho para ir fazer a sua vida no mar, e muitos ficam encandeados ou desorientados devido à poluição luminosa, acabando por cair por terra. Apesar do esforço conjunto, recolhemos também aves feridas e mortas, sobretudo devido a colisões com estruturas iluminadas.

 

Em São Miguel, organizámos brigadas adaptadas à realidade de cada zona. No Nordeste, atuámos com o apoio constante da PSP, recebendo também aves entregues por munícipes que se envolveram ativamente na campanha. O município e a EDA voltaram a colaborar na redução da iluminação pública, contribuindo para diminuir as quedas. O mesmo aconteceu na Povoação e Faial da Terra, onde contámos com os hotéis de cagarros criados pelo município, que permitem recolhas a qualquer hora, e com o apoio dos Bombeiros Voluntários e da PSP. As nossas equipas realizaram resgates noturnos e libertações ao amanhecer, com voluntários que todos os anos regressam para ajudar.

©AnxoCao
©Andrea Zanenga
©Andrea Zanenga
©AnxoCao
©Andrea Zanenga

 

Vila Franca do Campo manteve-se como um dos locais com maior número de aves resgatadas, apesar dos esforços do município e da Lotaçor para reduzir a iluminação na orla costeira. As nossas brigadas concentraram-se na marina e no porto, com o apoio de cerca de 100 voluntários, entre residentes, estudantes e visitantes. Só na noite de 29 de outubro recolhemos 124 aves. Recebemos ainda apoio dos pescadores e das equipas da Lotaçor, que entregaram aves nos hotéis de cagarros disponibilizados pelo município. As libertações foram asseguradas pelo Parque Natural da Ilha e pela Direção Regional das Políticas Marítimas durante a semana, e pela equipa SPEA aos fins de semana e feriados.

 

Pelo segundo ano consecutivo, testámos em Vila Franca do Campo um posto de triagem e primeiros socorros para aves feridas ou contaminadas, graças ao apoio voluntário de uma veterinária. Este trabalho permitiu tratar cerca de 70 aves antes da libertação. O Clube Naval de Vila Franca do Campo, a Terra Azul e a Marina da Vila o juntaram-se igualmente a este esforço, reforçando a cooperação local.

 

No Corvo, colaborámos com o Parque Natural de Ilha e criámos brigadas voluntárias compostas por 18 capitães de brigada e 15 voluntários. O município voltou a implementar um apagão total entre 25 e 30 de outubro, medida que reduziu significativamente as quedas: apenas 25% das quedas ocorreram durante esse período, apesar de coincidir com noites de maior número de quedas noutras zonas do arquipélago (o que indica que terá sido um período em que muitos cagarros saíram dos ninhos).

 

O trabalho que desenvolvemos nestas brigadas mostra a importância de unir conhecimento técnico, voluntariado e envolvimento das entidades locais. “Resgatar juvenis de cagarro, de forma responsável, é essencial para mitigar o impacto que as atividades humanas têm na população desta ave, mas é também muito importante agir na causa do problema e reduzir a iluminação sempre que possível”, disse a coordenadora da SPEA-Açores, Azucena de la Cruz. Só assim garantimos que estas aves conseguem chegar ao oceano em segurança, e superar os desafios colocados pela crescente urbanização das zonas costeiras.

cagarro

Cagarro

©Andreia Amaral/ SPEA

 

Mais informação

Saiba mais no blog da SPEA Açores

 

Contribua para esta causa