Inaugura no próximo dia 24, às 16h, a exposição “Aves da Palestina – a persistência da vida na catástrofe”. A exposição, organizada com o apoio do Colectivo pela Libertação da Palestina, da MIRA Galerias, da Meeru, da SPEA e da Associação Ambiental Pé Ante Pé, apresenta fotografias tiradas por fotógrafos e observadores de aves palestinianos, para quem observar aves é um ato de esperança. A inauguração será seguida, às 18h, de uma conversa com dois dos autores palestinianos. A exposição, de entrada gratuita, estará patente na MIRA Galerias, no porto, até 28 de março.
A cada migração, milhões de aves voam sobre a Palestina, um importante corredor para centenas de espécies que viajam entre África, a Europa e a Ásia. Sobrevoam palestinianos na “maior prisão a céu aberto” em Gaza – sitiada por terra, mar e ar desde 2007 e agora alvo de um genocídio – e palestinianos que vivem sob ocupação, apartheid e limpeza étnica na Cisjordânia.
Por toda a Palestina, as aves constroem ninhos nos buracos de edifícios bombardeados, nos telhados de postos de controlo e nos beirais de torres de vigia. Voam sobre os muros de betão que fragmentam o território e empoleiram-se no arame farpado que segrega e confina a população palestiniana.
Apesar da violência, da opressão e das restrições impostas pela ocupação israelita, os palestinianos continuam a levantar a cabeça para admirar as aves que cruzam o céu e sonhar com liberdade.
Em Gaza, as gémeas Lara e Mandy Sirdah persistem na observação de aves, mesmo durante o genocídio. Em novembro de 2023, foram expulsas de casa pelo exército israelita, mas continuaram a publicar fotografias e a manter uma lista das aves avistadas enquanto estavam deslocadas no sul da Faixa de Gaza.
Na Cisjordânia ocupada, os fotógrafos palestinianos Mohamad Shuaibi, Saed Shomali e Bashar Jarayseh observam aves desafiando as sufocantes restrições impostas pela ocupação e a violência colonial israelita.
Sinaa Ababseh, descendente de palestinianos que sobreviveram à limpeza étnica da Palestina em 1948 e conseguiram ficar nos seus terrenos na Galileia, fotografa aves como forma de se manter ligada à sua terra e de valorizar a beleza e a biodiversidade à sua volta.
O que significam as aves migratórias para um povo que vive sob ocupação, limpeza étnica, apartheid e genocídio? Como é que se protege a vida quando se está rodeado de morte e destruição? Como se cuida do ambiente num dos territórios mais devastados do mundo?
Esta exposição apresenta fotografias tiradas por palestinianos que veem os pássaros como mensageiros da esperança. Sobrevoam o território sitiado para dizer que ainda é possível viver livre e rasgar com as asas os limites impostos pela ocupação.
Para Mohamad Shuaibi, o objectivo destas imagens é mostrar um outro lado da Palestina. “Não é só morte e bombardeamentos. Há pessoas que se interessam pela vida selvagem, mesmo quando são privadas de tudo,” diz. “Há vida aqui. E nós amamos a vida.”
Os autores Mohamad Shuaibi e Bashar Jarayseh vão estar presentes na inauguração e estão disponíveis para entrevistas.
Inauguração e eventos
24 de janeiro, Mira Galerias
16h – Inauguração da exposição
18h – Conversa com Mohamad Shuaibi e Bashar Jaraseh
25 de janeiro, Parque da Cidade
8h30 – Observação de aves
28 de janeiro, Mira Galerias
18h – Visita Guiada com Mohamad Shuaibi e Bashar Jarayseh
30 de janeiro, Mira Galerias
21h30 – Sessão de poesia
