Quando se fala de crime ambiental, a tendência pode ser para se pensar em termos absolutos, de certo e errado. Para o Rui Machado, uma memória de infância ajuda a lembrar que nalguns casos, é mais importante — e eficaz — estabelecer ligações.

 

Lembro-me de uma foto de mim, em miúdo, completamente coberto de passarinhos. Era normal, onde cresci, as pessoas apanharem pintassilgos, ou terem gralhas-pretas em gaiolas. Nesse tempo já achava estranho ver gralhas em gaiolas, e quando comecei a estudar biologia e a perceber que não eram só pintassilgos e gralhas, mas também outras espécies a ser apanhadas, a ideia de que o lugar dos animais selvagens é na natureza acentuou-se. Descobri que capturar animais selvagens é ilegal – e com toda a razão, pela ameaça que pode causar às espécies. 

 

Mas aquelas pessoas com quem eu cresci, não se viam como criminosas. Elas tinham estes animais porque gostavam deles, e cuidavam deles com amor. Acho que é importante lembrarmo-nos disso quando trabalhamos em conservação da Natureza. Quando falo com as pessoas sobre crime ambiental, tento partir desse ponto comum: o gosto pelos animais. Tento explicar-lhes que por muito bem que os tratem, o lugar dos animais selvagens é no seu ambiente natural, ou que se continuarmos a retirá-los da Natureza, podem desaparecer de vez, e os filhos e netos dessas pessoas podem nunca ter oportunidade de ver aqueles pássaros. 

 

Explico-lhes que se deixarem em paz a cobra que viram no quintal, ela vai comer os ratos, ou que o veneno é um perigo porque pode fazer mal ao seu gato ou cão, ou pode contaminar uma linha de água, ou até pôr em perigo alguma criança que lhe mexa por engano… 

 

No fundo, para prevenir o crime ambiental precisamos de nos lembrar de procurar ligações – até porque em última instância, a ameaça que o crime ambiental representa vem precisamente daí: está tudo – e estamos todos – interligados.

 

 

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Quem é o Rui?

Seja no trabalho ou nas horas vagas, o Rui pode muitas vezes ser encontrado no campo, de binóculos ao pescoço. Apaixonado pelas aves, foi Técnico de Conservação na SPEA de 2016 a 2022, tendo trabalhado em monitorização de aves, no estudo do impacto das linhas elétricas na avifauna, e no combate aos crimes contra o ambiente, trabalhando com comunidades, agentes da autoridade e magistrados do ministério público. Atualmente é consultor na área de ambiente e ornitologia, e continua a doar-nos o seu tempo, conhecimento e energia, como sócio e voluntário.

 

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