Emitimos parecer negativo sobre a proposta da Central Solar Fotovoltaica Sophia (CFS) e linhas de muita alta tensão (LMAT), destacando os impactos severos e, em muitos casos, irreversíveis para a fauna, flora e habitats da região. A área de intervenção, que abrange cerca de 1352 ha (1158 ha da CFS e 196 ha de LMAT) nos concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova, inclui habitats de elevado valor ecológico e espécies ameaçadas, como a águia-imperial-ibérica, o abutre-preto e a cegonha-preta.

 

O projeto prevê a destruição de mais de 1158 ha de de solo e habitats, incluindo montados, carvalhais, olivais, charcas temporárias e afloramentos rochosos, assim como o abate e afetação ao nível radicular de mais de 2 200 árvores protegidas (azinheiras e sobreiros). A construção da central e das linhas elétricas associadas irá fragmentar os habitats e comprometer a conectividade ecológica com áreas classificadas próximas.

 

O Estudo de Impacte Ambiental deste projeto falha também ao não considerar os impactos cumulativos de outros projetos de energia renovável na região, como a Central Fotovoltaica da Beira. Estes impactos combinados podem agravar significativamente os efeitos sobre espécies e habitats, tornando a avaliação do projeto incompleta e insuficiente.

 

Entre os principais riscos que identificamos estão:

  • Impactos críticos sobre espécies ameaçadas de aves e mamíferos
  • Fragmentação de corredores ecológicos essenciais para a manutenção de populações locais
  • Perda de solos férteis e da capacidade de sequestro de carbono, contribuindo para alterações climáticas locais
  • Alteração permanente da paisagem e impactos negativos no turismo e no bem-estar das comunidades locais.

 

Concluímos que, na forma atual, o projeto não é compatível com a conservação da natureza nem com o desenvolvimento sustentável da região.

 

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