Tarso Costa

Técnico Sénior de Gestão de Dados & Cartografia

tarso.costa@spea.pt

No Dia Mundial das Zonas Húmidas, a SPEA assinala a importância destes ecossistemas vitais para o clima, a água e a biodiversidade. As zonas húmidas são aliadas silenciosas do território, pois acumulam água, armazenam carbono e reduzem riscos, mas estão entre os ecossistemas mais ameaçados pelas pressões humanas, razão pela qual a SPEA, há mais de 20 anos, desenvolve trabalho de restauro ecológico em diferentes habitats, incluindo zonas húmidas, com especial destaque para a recuperação de linhas de água e turfeiras no Planalto dos Graminhais em São Miguel, Açores.

 

As zonas húmidas desempenham um papel crucial em serviços de ecossistema essenciais contribuindo para mitigar as alterações climáticas; ajudando a manter a disponibilidade hídrica ao longo do ano; redução do risco de cheias, e funcionando como refúgio de biodiversidade, suportando espécies e comunidades altamente especializadas. Apesar do seu enorme valor ecológico e social, estes ecossistemas são particularmente vulneráveis a drenagens, alterações do uso do solo e introdução de espécies exóticas, ameaças que degradam rapidamente a sua capacidade de funcionar como “esponjas naturais” de proteção do território.

 

O trabalho da SPEA no restauro da turfeira do Planalto dos Graminhais, em São Miguel, começou em 2009 com o LIFE Laurissilva (2009–2013), foi reforçado a partir de 2021 com o LIFE IP Azores Natura e, atualmente, decorre no âmbito do SpongeBoost, um projeto europeu de investigação e inovação colaborativa que inclui os Graminhais como um dos sete estudos de caso na Europa, visando avaliar os efeitos do restauro já realizado e testar soluções baseadas na natureza com potencial de replicação noutras turfeiras europeias.

 

“Mais de uma década após as primeiras intervenções, os resultados do restauro da turfeira dos Graminhais já são visíveis. Tanto através de imagens de satélite como na monitorização da comunidade vegetal, que evidenciam a regeneração das espécies nativas, incluindo o musgão (Sphagnum spp.). Estas são as verdadeiras esponjas naturais que nos protegem em silêncio” Segundo Tarso Costa, Técnico da SPEA.

 

A SPEA mantém na turfeira do Planalto dos Graminhais, há mais de quatro anos, um sistema de monitorização hidrológica com sensores que medem precipitação, água armazenada e o caudal da Ribeira da Achada, recolhendo dados para compreender como a turfeira responde aos eventos extremos de chuva e esta informação já deu origem a uma dissertação de mestrado (RWTH Aachen University), que através de modelação hidrológica demonstrou que o restauro permite reter mais água, libertá-la de forma mais gradual e reduzir o risco de cheias a jusante, reforçando a adaptação às alterações climáticas.

 

“Após anos a monitorizar o funcionamento das turfeiras, já temos dados científicos que reforçam a importância da turfeira na redução dos riscos de cheias e que nos dizem as turfeiras são verdadeiras “esponjas” da paisagem, e importantes reservatórios de carbono e água, essenciais para enfrentar um clima cada vez mais instável. “refere Tarso Costa.

 

Neste Dia Mundial das Zonas Húmidas, a SPEA sublinha a importância de avaliar cientificamente os efeitos do restauro ecológico, reforçar a colaboração entre instituições nacionais e internacionais e investir em engenharia natural para recuperar áreas degradadas.

 

O restauro das zonas húmidas beneficia não apenas a biodiversidade, mas também as pessoas, ao contribuir para a segurança hídrica, a redução de riscos naturais e a mitigação das alterações climáticas. Proteger e recuperar estes ecossistemas é investir num futuro mais resiliente para todos.